O poder do ‘Like’ na internet

Imagine a seguinte situação: Um homem acaba de fazer um pedido de casamento para uma mulher, e em seguida, ela aceita. Dias depois de se tornarem noivos, a mulher começa a ver vários vestidos de casamento na timeline do Facebook, além de anúncios de vários buffets, preços, lugares para passar a lua de mel, enfim. Mas, como o Facebook conseguiu adivinhar que aquele casal vai oficialmente casar?

Outra situação: Você se cadastrou recentemente no Facebook, e a empresa já consegue descobrir quem são seus conhecidos. Mas que tipo de bruxaria é essa? Como o Facebook consegue adivinhar os meus interesses, selecionar meus amigos, meu gosto musical, e até mesmo, interesse profissional? Para responder esse tipo de pergunta, há uma série de fatores que permitem tal investigação.

Seu Like

Um ‘like’ ou um ‘joinha’ na rede social já diz muita coisa. O Facebook não deixa nada passar em vão, não importa o tipo de usuário. Para tanta complexidade e tantos estudos sobre o assunto, é até difícil pensar sobre como tal serviço continua gratuito. Ou seja, basta você falar um pouco sobre você, que a rede social faz o trabalho.

Sabe como o Facebook consegue conhecer você em poucos dias? Pelas suas ações na rede social. Se você simplesmente for um usuário inativo, ter poucas amizades nem revelar quem você é, vai ficar difícil para a empresa descobrir seu perfil. No entanto, a partir do momento que você colocar uma foto de perfil com seu rosto, curtir postagens dos seus amigos, compartilhar e comentar determinados assuntos, já é o suficiente para que sua timeline seja seletiva.

Seleção de conteúdo

Só basta um like numa postagem sobre gatinhos fofinhos, que o Facebook vai lhe trazer mais postagens sobre gatinhos fofinhos. Tudo é baseado dentro dos seus interesses. Mas, por que existe essa seleção?

Veja bem, Vamos supor que a Maria, um usuário comum, cadastrada por alguns anos, tem mais de mil amigos na rede social. Isso é uma plateia enorme, pois basta ela trocar a foto de perfil, que chove ‘likes’ na publicação. Mas, a Maria não tem tempo de conversar com esses mil amigos como se fossem seus irmãos que morassem na mesma casa. Boa parte dessas pessoas são conhecidos que ela não fala por muitos anos. Os amigos ‘reais’, ou seja, as pessoas que convivem mais perto dela, são cerca de 30 a 40 pessoas no máximo. O resto, é número.

Então, o que acontece com as outras 960 pessoas que ela tem como amigo? A Maria nunca vai conseguir ver todas as publicações que cada uma delas posta, mesmo considerando que cada uma delas poste uma foto por dia, por exemplo. O que na realidade uma única pessoa pode compartilhar centenas de informações, outras, mal conseguem ter tempo de acessar o Facebook. é por isso que a rede social seleciona as publicações mais relevantes que estão dentro dos seus interesses, além de incentivá-la a curtir páginas cujo o assunto abordado faça parte dos seus interesses pessoais e/ou profissionais.

Se a Maria adora ver imagens de gatinhos fofinhos, nada mais natural que o Facebook recomende páginas que estejam dentro desse assunto. Assim como Maria vai poder ver mais gatinhos fofinhos em sua timeline, o administrador da página que Maria curtiu, vai ganhar mais relevância.

Outro exemplo muito prático: a política. Se Maria adora falar de política e ela é de extrema esquerda, o Facebook vai selecionar assuntos com base em seus interesses. Ou seja, ela vai ver somente tudo o que é de bom e o de melhor em ser de esquerda. O mesmo vale para quem é de direita. Cada grupo pouco se importa com o que os outros estejam pensando, desde que cada um tenha seu ego fortalecido pelos assuntos selecionados de acordo com seus interesses.

Assim como no mundo existem maus tratos de animais, torturas e outras crueldades, a Maria vai ver apenas os gatinhos fofinhos. Na rede social não existe o outro lado da moeda, mas sim, o que é do seu interesse.

Claro que, o mais importante que isso, é que o Facebook não é o único a fazer seleção de conteúdo, as outras redes sociais também fazem a mesma coisa. Vejamos como o YouTube também é parte desse sistema:

Guerra de vídeos no YouTube

Com forme você vai assistindo vídeos no site, como um usuário autenticado, o YouTube passa a buscar vídeos relacionados com aquele que você acabou de assistir. Portanto, supondo que você acabou de assistir um vídeo de uma mulher ensinando como fazer um bolo de chocolate, o YouTube também vai buscar vídeos relacionados a receita de bolo, então você pode ver vídeos de outra pessoa ensinando a fazer bolo de chocolate de uma maneira diferente. Ou então, ver o vídeo do mesmo canal, mas dessa vez, aquela pessoa que estava ensinando a fazer bolo de chocolate, agora está ensinado a fazer um bolo de laranja.

E assim o YouTube vai montando os vídeos que você assistiu, juntando vídeos relacionados ao assunto na página inicial. Para o usuário que assiste, não passa de um vídeo qualquer, e pode nem precisar perder seu tempo assistindo aquilo. No entanto, diferente do Facebook, cuja as informações são compartilhadas rapidamente por texto, no YouTube, as informações são compartilhadas por vídeos. Cada criador de vídeos no YouTube tem um esforço muito grande até que ele chegue de fato na internet. E mesmo assim, esse criador terá que ficar lendo críticas nos comentários só por causa que o vídeo não foi bom o bastante para agradar o usuário. Esses tipos de usuários são chamados popularmente de haters.

Cada pessoa tenta dar o seu melhor até finalizar o vídeo, tentando oferecer o máximo de qualidade possível, porém, sempre haverá alguém ‘do contra’. As avaliações podem ser uma grande parceira como uma grande armadilha, seja para a relevância de uma empresa, como para um simples canal no YouTube.

Há casos que a ousadia é tão grande, que até mesmo assuntos delicados como religião e política são feitos para xingar e servir de ódio para outro criador. É possível comparar essa situação com o Biscoito x Bolacha. Uma pessoa cria um canal no YouTube para falar que o biscoito é o alimento mais gostoso e que é a única forma correta de se falar. Já outra pessoa, não gostando da ideia de que o biscoito é a única forma correta de se falar, vai criar um canal no YouTube só para dizer que a bolacha é tão gostosa quanto o biscoito e que ela é a única forma correta. Essa dualidade de oposições pode ser motivo para guerras entre YouTubers ou até mesmo entre os Haters.

Reputação, mortes e destruição de projetos

Todos gostamos de ser classificados com boa reputação. E quanto mais isso acontece, mais nos esforçamos para melhorar o que iniciamos. Mas, de uma hora para outra, você está fazendo sucesso e sua reputação cai drasticamente por tal razão. Isso é mais comum acontecer com Youtubers que sempre se esforçam para construir bons vídeos, mas que frequentemente recebem críticas pesadas sobre o trabalho elaborado.

Todo esse trabalho gera depressão, ou até, no pior dos casos, morte. Mas a morte nesse caso, é por suicídio que proveio da depressão. Ninguém tem culpa pela morte, mas o fato de a pessoa estar tão ligada no mundo da web, a autocrítica, e diversos outros fatores que fazem ela se sentir inútil, vazia.

Afinal, quem é o nosso inimigo?

Tanto o Facebook, como o YouTube, Google+ Twitter ou qualquer outra rede social, não necessariamente são elas as culpadas por escolherem os conteúdos que vemos, mas sim, a seleção e a escolha específica de um único assunto. Já que, as redes sociais não são as vilãs da história, o que deve ser feito para corrigir esse caso? Veja algumas dicas:

  1. Variedade de assuntos: Não existem somente gatinhos fofinhos no Facebook, existem cães, pássaros, zoológicos, centro veterinários destinados a resgatar animais de rua, existem maus tratos de animais que devem ser denunciados, e o mesmo vale para todo e qualquer outro assunto. Cabe ao usuário olhar o ouro lado da moeda e aceitar que ao mesmo tempo que existe o bom, existe o ruim.
  2. Fim do ego: não é possível ser perfeito e agradar todo mundo, até mesmo neste post, poderá haver alguém que leia e deteste a matéria. Ninguém pode estar totalmente certo daquilo que fala, e nem errado sobre aquilo que pensa. Só porque você passou a ver mais conteúdos sobre aquilo que pensa, não deixe que isso te prejudique.
  3. Aceitação: embora existem controversas, a pior coisa é deixar que a violência fale por nós. Você deve considerar aquele que possui uma opinião diferente da sua nem como seu inimigo, nem como opositor, mas sim, como alguém que vê as coisas de outra forma. No entanto, tal motivo gera guerra política, gasto de dinheiro, e a intenção de ser o centro das atenções, como mencionado no tópico anterior.
  4. Liberdade do “mal”: Sempre devemos ver o outro lado da moeda. Ficar vendo apenas o lado bom da vida é muito bom e fácil, mas existem coisas ruins também que devem ser levadas em consideração, e não escondidas, por mais que você deteste ver maltrato de animal, morte de pessoas inocentes, doenças espalhando, problemas com a crise no país, enfim. São essas as coisas que as pessoas pedem socorro, mas são poucos que atendem esses chamados.
  5. Fim da prisão social: Assim como devemos ver o outro lado da moeda, não podemos apenas ficar reclamando que coisas assim existem, e usar como desculpa para não fazer uma série de coisas. Saia de casa, vá ver o mundo com sua própria experiência, faça sua parte, ninguém pode ser o herói do mundo, mas pode ser seu próprio herói.

Assim, podemos construir uma rede social que possa fazer todo o sentido da vida, com um lado bom e ruim, mas com um olhar crítico sobre ambos os lados. Quanto mais pessoas souberem disso, a crítica na internet e a guerra entre ideologias, o certo e o errado diminuirá. Consequentemente, a reputação das pessoas não cairá, projetos nascendo não morrerão, e muitos podem viver em mais harmonia em um ambiente social virtual. Toda essa discussão acima foi feita apenas pelo motivo de um like.

 

Links úteis

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A importância do feedback

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